sábado, 3 de março de 2012

Vida Roubada, Por Jaycee Lee Dugard


Como você reagiria se fosse sequestrado neste momento em que está lendo este texto? Lutaria? Gritaria por socorro? E se você não tivesse chance de fazer nada? E se tivesse apenas onze anos? Acredite ou não, isso aconteceu. Jaycee foi sequestrada quando tinha apenas onze anos de idade e um futuro brilhante pela frente. Durante longos dezoito anos, Jaycee foi abusada sexual e psicologicamente por Phillip Garrido, e enquanto isso, a mulher de Phillip, Nancy, esteve presente, vendo o marido estuprar a garota sob o efeito de drogas e trancá-la durante dias em um prédio escondido em seu quintal.

Li este livro em duas horas. Não, durante essas duas horas eu não bebi nem um copo de água, não comi nem um biscoito, e só respirei e pisquei porque são movimentos involuntários, senão, juro que nem isso teria feito. Vida Roubada é meu primeiríssimo livro sobre sequestros, e qual a melhor forma de iniciar algo do que com uma história real? Pois bem, oficialmente, eu estou lendo Sábado à Noite, mas quando vi o livro, ele me chamava...

Não sei ao certo como dizer como me senti durante a leitura, não que não esteja claro para mim, mas sei que vai soar meio piegas ao extremo, o que quero dizer é: EU ME ENVOLVI DEMAIS COM O LIVRO. Não havia acontecido antes, livros vão e vem, gosto de uns mais do que de outros, mas Vida Roubada é uma transcrição tão sincera e intensa que é impossível não sofrer com Jaycee, é impossível não ter nojo dos Garrido.

Aos 14 anos Jaycee já era mãe. O nome inteiro de sua bebê foi omitido no livro, assim como o da sua segunda filha, que foi concebida aos dezessete anos de Jay. Quando li a primeira e única cena em que Jaycee descreve como se sentiu quando Phillip a violentou pela primeira vez tudo o que consegui sentir foi nojo. Sim, nojo. Não só por ele estar transando com uma menina de 11 anos, mas me veio a mente que Jaycee não teria nenhuma das emoções que um adolescente tem, ela é obrigada a crescer rápido demais, então, como é citado no mesmo livro, ela é privada do primeiro amor, das noites de sábado com os amigos, o primeiro namoro, porque a partir dali tudo se resume à ser escrava sexual de Garrido.

Sem dúvida alguma, a pessoa que mais me enojou em todo o relato foi Nancy. A mulher de Phillip não só ajudou-o a sequestrar Jaycee, como também tornou sua vida muito mais difícil, distanciando a mãe precoce de suas duas filhas. O mais interessante também é o fato de que Jaycee queria a aprovação de Nancy. Jaycee queria ser amiga da mulher que foi cúmplice em seu sequestro, tamanho era o desespero da garota quanto suas relações sociais cada vez menores.

Algo que foi sendo citado durante todo o livro era como o raptor tratava sua vítima. Jaycee recebia ao menos uma vez por dia algum fast food, Garrido sempre tentava fazê-la rir e ser gentil, como se eles fossem uma família, e ela a concubina. O comportamento de Phil mudava conforme seu humor, segundo Jaycee ele era esquizofrênico, inclusive, uma de suas justificativas ao ir ao tribunal pelo sequestro foi que os “anjos” haviam dito que ele deveria fazer isso. Foi a mesma justificativa usada alguns meses antes do sequestro, ao estuprar uma mulher.

Finalizando, eu aperto novamente na tecla, porque Nancy foi idiota à ponto de permitir que seu marido abusasse de um menina? Aliás, em primeiro lugar, Nancy deveria ao menos ter tentado pará-lo com a estúpida ideia de sequestrar alguém. Sinceramente, se o amor faz isso, eu nunca quero me apaixonar de verdade. 

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